segunda-feira, 4 de março de 2013

1 de Março, 2013

 Já havia muito tempo que o tempo estava quente. Quente e seco. Enquanto eu reaprendia a respirar, sem sufocar, lutava contra a vontade de reclamar, insatisfeito. Não gostava do clima, do excesso de calor, da falta de umidade. Orei por longos meses. Meses que foram anos. Confesso que várias vezes me cansei, parei, pensei em desistir, mas algo em mim apontava para a esperança pelo que eu acreditava. Eu não apenas queria. Eu precisava. Tudo em mim clamava por água. Meu corpo ansiava por dançar na chuva, encharcar a roupa, regar a pele.

 As nuvens vinham, pingavam sua dose e se dissipavam. Desapareciam logo quando eu começava a amar os dias nublados. Mas eu precisava do permanente, da certeza de que minha sede seria suprida constantemente. Continuei acreditando, esperando, honrando a minha fé no que outrora eu já havia sentido. Então, repentinamente, depois de verões e invernos que não apontavam para nenhuma direção, após nuvens carregadas daquilo que parecia passageiro, o carnaval passou. A dor da alegria plastificada em máscaras se foi. O suor secou. O meu corpo logo se molharia de água do céu.

 A chuva caiu com vontade. Chegou repentina e me lavou a alma. Águas de março que me regaram os olhos, e nelas percebo certa intenção de plantarem em mim sentimentos dos quais eu nem me lembrava como soavam aqui dentro. As novas águas molham o campo de terra árida, quase desacreditada, dada como fértil. E o mais bonito, garota, é que toda essa história é linguagem figurada. Você é a tempestade e eu o copo d'água. Você é a chama e eu a fogueira. Você é o anel e eu o dedo anelar. Finalmente, as águas dessa chuva é você, e a terra não mais árida o meu coração. O amor pode estar nascendo, você consegue ver uma flor se abrindo?
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