terça-feira, 7 de julho de 2015

Vasos de Barro

Somos vasos.
Vasos de barro.
Frágeis.
Aparentes.
Enfeitados.
Rejeitados.
Rachados.


O oleiro nos fez, mas talvez não nos tenha.
Somos remendados, mas não restaurados.
Queremos o novo, mas não o renovo.
Queremos ser cheios, mas não derramados.

Não permitimos.
Não cedemos.
Não nos entregamos.
Não nos rendemos.

Mas o barro só tem a vida se recebe o sopro.
A beleza só aparece ao tirar os enfeites.
Rachaduras não somem com meros esforços.
Aceitação não cura grandes vazios.

Precisamos que o oleiro nos tenha.
Precisamos voltar ao oleiro.
E permitir que nos desfaça.
E ceder à sua graça.
Entregar às mãos que nos quebrarão.
Desfazer para refazer.
Chorar ao derramar.
Sorrir ao encher.

Pois esse é o processo.
Essa é a essência.
Vaso que não foi quebrado,
e refeito em cacos de dor,
não pode ser cheio do amor.



terça-feira, 23 de junho de 2015

Escolher, em consciência, a essência

"Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.” Rubem Alves
É tão bom passar tempo vago na internet e sentir que, nesse tempo, você conheceu algo útil, entendeu algo importante e teve seu espírito edificado...

Às vezes, nos esquecemos da nossa (linda) capacidade de escolher e fazê-lo bem. Nos esquecemos do controle que temos sobre as coisas que ingerimos, com as quais alimentamos nossa mente, emoções e esperança. Vivemos tão automaticamente hoje em dia, que perdemos a essência pelo caminho, desaprendemos a viver bem e nos frustramos ao deparar com nosso eu perdido, cansado e conformado com qualquer coisa.

Por isso o lembrete a seguir é tão válido e necessário: Sabe, você não precisa aceitar tudo que te oferecem - isso vale tanto na vida online quanto na real. Você não precisa achar graça das bobagens que todo mundo acha, você não precisa ter uma opinião pra tudo e se impor numa arrogância idiota só pra se sentir parte de um grupo social... Tudo bem você ser apenas você, e pensar em você, e querer dar espaço para o que é bom a fim de que se torne melhor. Tudo bem você ser incompreendido por muitos, simplesmente porque não gosta do que todo mundo gosta ou porque não quer o que todo mundo deseja ou possui.

E você pode se perguntar o que 'ser você mesmo' tem a ver com 'se preencher de coisas boas'. Pois bem... Identidade é algo exclusivo, único, valioso, e que infelizmente tem perdido sua importância nessa era em que o importante mesmo é ser banal. A identidade é algo que se constrói através de experiências, relacionamentos, questionamentos e um tanto de outras coisas. E tudo isso, tudo o que é necessário pra que alguém possua a sua própria identidade, tem a ver com escolhas. Portanto, se você permite a si mesmo ir atrás dos outros sem sequer saber para onde estão indo, ou se tem preguiça de pensar, buscar conhecimento, coisas que te edificarão e elevarão sua mente e razão, então você estará abrindo mão do seu poder de escolha (o único poder que possuímos) para escolher de maneira inconsciente. Você estará decidindo ser apenas uma cópia, mais uma alma solitária que faz o que todos fazem, que quer o que todos querem, que gosta do que todos gostam, que se esquece a cada dia de quem poderia se tornar, caso filtrasse as informações que recebesse e soubesse reter apenas o que é bom, descartando o descartável e não se alimentando dele.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Uma verdade sobre a verdade


O papel de quem crê na verdade não é de agir como se ela fosse sua propriedade exclusiva. A propósito, quando alguém conhece a verdade e a aceita, passa a pertencer a ela, como todos os outros que o mesmo fazem, e não o contrário. Dito isso, não, aquele que pertence à verdade não deve tentar impor ou obrigar outros a conhecê-la, a pertencer ao que ele já conhece. Esse pode desejar para aqueles a quem ama, que também a encontrem; ele pode transmitir a beleza e benefício da liberdade que há em viver a verdade em seus atos; ele pode até oferecê-la, afinal, tudo quanto provamos de bom, queremos que outros também provem; mas não se pode, jamais, enfiá-la goela de alguém abaixo. Devo lembrar que aquele que é a verdade, e também o caminho e a vida para os que creem, pelo qual são libertos aqueles que a conhecem, nunca fez mais do que apresentá-la, gentilmente, amorosamente, pacientemente, com seus gestos e suas palavras. Nem todos aceitaram-na. Nem todos deram atenção. Nem todos gostaram da ideia. Inclusive, alguns até conspiraram para que a verdade fosse vista como uma mentira. Assim o foi e assim tem sido. E diante dos fatos e exemplos vividos humildemente pela própria verdade, aqueles que são sua comunidade, que já o encontraram, que buscam por conhecê-lo cada vez mais íntimo, não devem agir como se tudo ao redor tivesse que ser dominado por essa verdade. Não é e, sinto informar, não será. É justamente porque a verdade existe, que sabemos a respeito da liberdade que todos têm até mesmo para rejeitá-la. Livre-arbítrio, esse que dá o direito de escolha, as quais geram consequências que terão de ser encaradas um dia, seja no juízo, seja nos altos e baixos da vida, seja enxergando que o caminho pelo qual está indo não chegará em um bom lugar. As pessoas são livres para pensar, livres para sentir, livres para escolher. E aquele que conhece a verdade não pode, de maneira alguma, anular o seu conhecimento agindo como se esses merecessem menos do seu amor, menos do amor daquele que o é. A verdade veio para todos. O amor veio para todos. Sem exceções. Sem distinções. Ao que sabemos, pelo agora. O depois daqui não pertence a nenhum de nós. Então, aos conhecedores, libertos, 'do caminho certo', eis aqui um conselho: AME! Transmita a verdade amando. O restante não é com você, e sim com aquele a quem você crê que pertence.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Existe uma história depois da capa

“Quando eu descobri o quão falho eu sou, percebi que somos todos apenas livros imperfeitos em capas atraentes.”

É realmente fácil ouvir histórias das quais não fazemos parte e permanecermos indiferentes. É muito confortável julgar uma pessoa por uma queda ou tropeço, ou por uma longa cadeia de erros, quando não somos nós em seu lugar. Mas há um lado oposto a esse, uma forma de perceber a dor do outro e desejar dividi-la.

Quem sabe se fizéssemos uma lista de características pessoais, boas ou ruins, visíveis ou imperceptíveis?! Certamente nos surpreenderíamos ao compreender que nossa maior falha está em nos limitarmos, em nos esquecer da característica mais valiosa que possuímos: nossa HUMANIDADE. Muitas vezes vemos um filme, um livro ou um CD, e rejeitamo-los pelo simples fato de não nos agradarmos da capa. E assim fazemos com as pessoas, inescrupulosamente, inclusive a nós mesmos. Julgamos o outro, porque para nós uma atitude vale mais do que toda a história, uma falha diz mais respeito à vida de alguém do que as virtudes que a trouxeram até aqui. Infelizmente nos permitimos valer apenas a primeira chance de nos contentarmos com a capa.

Pode parecer complicado examinar a si mesmo. Pode parecer difícil identificar essa falha que tem depreciado a sociedade dentro de si. Mas eu posso dizer o que é difícil pra valer. Por uma experiência pessoal, eu posso dizer como é estar do lado que dói, que machuca só de olhar alguém pagar por um erro, mesmo enxergando em seu olhar e sorriso que ela já aprendeu com a falta cometida.

Não é fácil conhecer alguém, ver as melhores intenções em seus olhos, e assisti-la ser vítima da consequência exacerbada que vem da 'justiça' humana. Não é fácil ver uma realidade de 'consequência aliada à justiça' tão de perto, sabendo que o erro foi apenas um envolvimento equivocado. A justiça do homem conta apenas os números, mas não reconhece as vidas... Bom, nós também fazemos isso, não?! Um excelente histórico não vale nada se aquela vida cometer um pequeno crime. E você só consegue enxergar esse fato com clareza de duas maneiras: Ou você realmente faz parte da vida dessa pessoa, ou você possui um nível de compaixão incomum! E é nesse nível que precisamos chegar urgentemente.

Mergulhemos mais a fundo em compaixão e poderemos ver além do que mostra a superfície daquele alguém sobre quem comentamos, de quem exigimos algo, quem julgamos merecer as situações pelas quais tem passado. Larguemos as pedras. Baixemos as vozes. Interrompamos os rumores. É verdade que não existem pessoas perfeitas, mas ninguém é feito de imperfeição! Nenhuma vida pode se resumir a um erro, um ato falho, um equívoco impensado. Por trás de cada capa, e cada ato, existe uma história. Por trás de cada escolha, existe uma infinidade de experiências boas e ruins. E por trás de pessoas imperfeitas, boas e perversas, esnobes e perdidas, existe um Criador perfeito. O motivo é que, por trás de toda essa história que vivemos, existe uma Cruz onde O Amor perfeito foi pregado. Tudo o que precisamos fazer é nos entregar a essa Graça concedida. É permitirmos ser justificados pelo sangue que escorreu do corpo da Justiça, a única capaz de julgar toda a história de uma vida, que se encontra muito acima da nossa, que não tarda, que não falha.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A Luz Que Só Vai Aumentar

O reino de Deus vem. Aos que esperam e aos que não esperam, aos que se permitem sentir e aos que não sentem, aos que aceitam e aos que criticam. O Reino vem para todos! E embora alguns o rejeitem, ainda que seja tudo o que se precisa nesse mundo, nada impedirá que o poder de Deus se manifeste nem que a justiça infalível e a alegria imprescindível brilhem como o sol ao meio dia. Não é a força do homem ou a intenção do mal que pode tirar Deus do Seu lugar. Ele está sobre tudo e sobre todos. A soberania dEle dita todas as coisas e nada sai do Seu propósito! Por isso, não importa nem um pouco se criticam os filhos de Deus, se debocham, se perseguem, ou se os falhos filhos de Deus têm sido algum motivo de escândalo e vergonha para o evangelho... Nada importa mais do que o fato de o controle estar nas mãos do Eterno! Nada importa mais do que o fato de que a figueira tem produzido os frutos que serão colhidos em tempo oportuno. Quando se entende que o propósito de Deus é muito maior do que nossa mente humana e infantil é capaz de compreender, só nos restam duas opções: Ser parte do dia que começa a nascer ou se esconder na noite escura que chegará ao fim; deixar que a glória de Deus se manifeste em você ou permitir que a vanglória te esconda na caverna mais confortável, de onde você pode apontar as falhas e sujeiras daqueles espelhos que se dispuseram a refletir o brilho da luz. Assim é o reino de justiça, de paz e alegria que vem... Você já ascendeu uma vela em um quarto totalmente escuro? Então pode imaginar do que eu estou falando.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Não podemos confiar em nós mesmos!

Quando em extrema tolice permitimos que a hipocrisia alheia ou o pecado 'inofensivo' nos distanciem de Deus, nossa sensibilidade perde toda a força. Como um anestésico, a ilusão nos leva a um encantamento onde estacionamos a nossa vida no escuro e não reagimos à completa falta de luz. Logo passa a ser cada vez mais difícil ouvir a voz e direcionamento de Deus, enquanto nossas próprias razões soam mais alto e aparentemente mais belas do que a própria verdade.

Agimos como sonâmbulos, colocando uma venda nos olhos e nos entregando ao juízo inapropriado. Aos poucos o modo de viver se torna enganoso, e passamos a acreditar que estamos em paz, que está tudo bem conosco... Mas não está. Não é possível estar tudo bem, se a vida não está em concordância com a vontade de Deus! O fato de nos acharmos confortáveis por si só revela o quanto a vida vai mal. 'Pois aquele que deseja me seguir, disse Jesus, tome a sua cruz e venha...'

Cristo nos chama das trevas para a luz. Ele nos convida ao quebrantamento. Por isso há um certo desconforto na presença de Deus, algo que complementa essa paz misteriosa que vem do alto. Só podemos descansar na certeza de que a vida vai bem, quando nos incomodamos com nossas imperfeições, quando nos atentamos à tão grande necessidade que temos por mais de Cristo em nós, quando entendemos que o ser é mais humano apenas quando reflete a Cristo. Ninguém pode se encontrar na natureza, na arte, ou no estilo de vida que lhe convém. Nem em si mesmo o homem pode se encontrar com tamanha precisão. Em tudo isso há resquícios da mesma essência, obviamente, mas é somente no Criador que a criação encontra o seu significado, sua verdadeira paz e plenitude.

Entender, como o apóstolo Paulo, o quão miserável é nossa condição, é o que eleva a nossa vida a um patamar de verdadeira transformação. Nisso consiste tudo o que precisamos: Existir e nos mover em Deus.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Não somos fuleco

"Foi dada a largada para os jogos do campeonato mundial, e a partir disso creio que se espera que o patriotismo - mais conhecido como o gigante que acordou e dormiu de novo - que foi tirado da gaveta junto às vuvuzelas, aos chapéus e blusas em verde e amarelo, não seja guardado novamente tão cedo. Que essa paixão intensa por uma vitória conduza a um caminho para além das vibrações por um gol ou bons passes. Espera-se, do fundo do coração de cada brasileiro sincero, honesto, justo e íntegro - ainda que ele não tenha uma consciência bem definida de tal esperança - que a vontade do melhor pelo seu país não seja descartada ao final das festas e torcidas que, francamente, não anulam o momento de crise, apenas funcionam como um anestésico para alguns cidadãos. Não menciono a torcida, a festa ou a alegria como fatores a serem descartados, mas insisto em que a consciência seja extremamente valorizada e resgatada! A consciência de que a vitória da qual realmente precisamos, e desejamos, não está sob responsabilidade de um time de vinte, mas em nossas mãos, favorecendo-nos com o direito de decidir a 'equipe técnica' que pode realmente trabalhar em nosso favor. Em favor do povo que acredita e grita da arquibancada, mas que também sabe como jogar o jogo. Após a festa da copa teremos um momento decisivo e importantíssimo. Podemos agir como escalados do time e usar a sabedoria, ou podemos ser meros espectadores que apenas vêem a bola rolar e depois só sabem reclamar do "juiz ladrão". Levemos a sério o fato de possuirmos a possibilidade da decisão."


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Imensurável Valor

De que vale admirar a estrada se prefere a margem do caminho?
De que vale apreciar a verdade se cede ao gosto amargo da ilusão?
De que vale venerar a vida e se inclinar ao caminho da morte?

O preço da luz é refleti-la.
O preço da cruz é carregá-la.
O preço do amanhã é o agora.

Boas intenções podem construir uma linda jornada, mas não o seu fim. Aliás, dizem que a estrada para o inferno é pavimentada exatamente dessas intenções. E qual é a dúvida?! Afinal, tudo o que parece tão gostoso, tão prazeroso, não é o que nos atrai de fato? No entanto, por vezes nos esquecemos da essência que nos faz recuar, que nos eleva ao arrependimento de algum equívoco. Tal essência que nos traz sempre ao mesmo ponto: uma necessidade de mais vida, de mais sabedoria, mais senso de justiça e sanidade.

O fim justifica os meios, logo, somos levados exatamente aonde escolhemos ir. Justificamos nossas incoerências em vão, optando pelo prazer do momento e nos esquecendo que as consequências existem, quer queiramos ou não.

A questão é simples: Se o fim justifica os meios, tudo o que precisamos é ser justificados no meio do caminho, onde quer que nos encontremos. É no meio da história que Deus se encontra. Qualquer caminho pode se tornar o verdadeiro caminho!

Faça um favor a você mesmo e não ande mais nenhum passo se reconhece que está no lugar errado. Admita suas fraquezas e incertezas, e escolha o novo rumo para seguir a partir de agora. Porque não adianta se admirar ou se encantar com a luz do outro, com o exemplo do outro, com a vida do outro, se você não quer essa vida em você.

Qual o valor em reverenciar a Deus à distância, se não preza por viver a vida de Seu filho entregue numa cruz?!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O homem, sua essência e seu destino

O homem tem receio do que ele mais anseia, ainda que não conheça tal desejo. Ele talvez fuja do peso de um dia ser perfeito, completo, totalmente luz e totalmente amor. Entrega-se à fuga de sua própria essência dia após dia, em direção ao escuro, à indiferença, à doença do amor próprio exacerbado. Vê-se mais distante de si mesmo tornando-se mais próximo àquilo que é surreal. Sua dádiva esquecida, seu legado abandonado. A tristeza que o afeta cada vez que recosta a cabeça no travesseiro, a dor que o aperta cada vez que se vê sozinho, o medo que o acerta cada vez que tenta fixar os olhos à frente...

Pela falta de confiança afugenta dos seus dons e se esquece do seu dono. O homem que tem sede de vingança, na verdade tem sede de justiça. O homem que se arrisca na perdição de fato não conhece mais o caminho de onde se perdeu. Suas voltas em torno dos próprios desejos o levam para o mesmo fim, e sua confiança no enganoso coração o derruba sem que ele perceba. Quando consegue enxergar se dá conta de que foi levado para longe do propósito, longe do sentido real de sua existência. O homem foi criado para encontrar-se com seu Criador. Ele não pertence à dor, não pertence ao falso sorriso que seu coração maquila, muito menos à irracionalidade com que escolhe seus passos, palavras e pensamentos. O homem é o sonho mais incrível de Deus. Sonho concebido a partir de um desejo imensurável e incompreendido por limitações humanas, com a finalidade de reverenciar Aquele que o criou na simplicidade de ser ele mesmo. Homem tão fraco que foi criado pela maior força, mas se entrega ao perigo de se enfraquecer em sua natureza redimida e se confundir na mistura entre duas paixões. Esquece que é feito luz, feito amor, ainda imperfeitos, no entanto a caminho da perfeição.

Tudo o que o homem precisa é desvendar os olhos, enxergar a possibilidade para o qual foi formado e se entregar à liberdade verdadeira, não àquela que o torna dependente da sujeira para viver de forma aparente até morrer. O homem é gota que se dissipa nessa Terra, que se receia pelo seu fim, sem saber que a finalidade é tudo o que ele mais deseja. O homem que segue seu percurso em genuína liberdade e entrega, flui e corre como um rio sendo atraído pelo mar aberto. Seu fim é o seu criador. O destino do rio é o grande oceano, de quem teve certo medo, mas onde se torna completa perfeição. Um dia o rio fará parte do oceano, ou do abismo, e a escolha de ser verdadeiramente livre terá feito toda a diferença.


terça-feira, 1 de abril de 2014

Uma redação sobre a fé e o amor

Certa vez ouvi em uma conversa de adultos que a fé é o poder do ser humano. Que ninguém pode caminhar sem fé, que ela nos faz enxergar no escuro, e pode até mover montanhas... Bom, eu não posso falar com tanta certeza, pois ainda tenho apenas onze anos, sou apenas uma criança crescendo e estou aprendendo sobre as coisas, principalmente essas mais complexas da vida. Na verdade eu acho que nunca entenderemos o suficiente, mas essa não é a questão.

O que sempre me faz pensar bastante e até me deixa confuso é o tal poder, ou, seja lá o que a fé for, como a posse mais importante de um homem. Não só a fé, mas a felicidade que as pessoas tanto procuram, ou a segurança que tanto desejam comprar. Será que ninguém percebe o quanto o amor nos faz falta? Eu sei disso porque me mudei faz alguns meses. Meu pai foi transferido no trabalho, e injustamente eu tive que deixar meus amigos para trás. Meus amigos que tanto amo fazem falta no meu dia a dia... E é por isso que tenho certeza do que digo. Da mesma forma que sinto falta de pessoas que amo, sinto falta do amor como se fosse uma pessoa que foi embora. Fico me perguntando onde ele se escondeu. Será que ele se assustou e fugiu de nós? Ou será que nós não entendemos que todos mereciam igualmente a sua presença, e logo ele foi embora pra não ser motivo de brigas?!

Engraçado... Pensar que o amor deveria ser a principal razão para não haver brigas, ou guerras, ou medo. É isso o que penso ser amor: o verdadeiro poder do homem. Tal homem que se esqueceu de tamanha força contida em uma decisão de amar, e acabou sucumbindo ao seu oposto. É tão triste ver que as pessoas crescem e vão se esquecendo do poder que tem, ou vão adaptando-o aos seus próprios gostos e desejos. E por fim, as crianças amam muito mais do que aqueles que já estão maduros, que conhecem da vida. Os adultos, que têm tanto a ensinar, tem muito a aprender conosco. E digo com absoluta certeza. Tudo o que sei é que o amor, esse grande amigo que habita em mim, é o único meio de sobrevivência no meio de todas essas crises modernas. Ouvimos falar que a fé faz mover montanhas, mas quem pouco ama, pouco acredita, e assim, obviamente, pouco usufrui do poder da fé. O amor é o maior poder de todos! Enquanto a fé move montanhas, o amor move pessoas, e esse é o verdadeiro milagre dos nossos dias.